quarta-feira, 29 de outubro de 2008

Ajuda humanitária na Somália resulta em ataques terroristas??

Ora bem, para inaugurar este blog aqui vai a primeira notícia, vinda do Público.
O interessante desta notícia, no contexto deste blog, está, talvez, na parte realçada no texto.
Considero esta notícia como um principio de propaganda deste tipo por causa do primeiro parágrafo realçado. As autoridades internacionais encontram-se no país para defender uma causa nobre: o combate à pobreza, fome e miséria, democratizar o país e a região... E nesse momento os terroristas atacam!
Lembro só que na década de 80, o período mais grave em termos de fome e pobreza nessa região africana, as exportações de alimentos para os países ocidentais não só não cessaram como aumentaram, agravando a situação e provocando a morte de várias centenas de milhar de pessoas.

«Somália: Pelo menos 28 mortos em vaga de atentados
29.10.2008 - 12h11 Agências
Uma vaga de atentados suicidas matou hoje pelo menos 28 pessoas na Somália. Um dos ataques atingiu um edifício da ONU em Hargeisa. Nesta localidade morreram pelo menos 25 pessoas, e outras três em Bosasso, na região autonómica de Puntland.
Os atentados ainda não foram reivindicados, mas nos últimos meses os rebeldes islamistas, que combatem o governo interino apoiado pelo Ocidente e pelos seus aliados etíopes, lançaram uma série de ataques que estão a coincidir com os esforços da comunidade internacional para se pôr fim ao ciclo de pobreza, fome e escassez democrática no Corno de África.
Washington e os seus aliados na região da Etiópia sublinham a ligação entre os islamistas somalis e a rede terrorista al-Qaeda. “É o trabalho dos terroristas do costume, que querem criar instabilidade. Asseguro-vos que eles não escaparão impunes. Serão levados à justiça”, afirmou aos repórteres o ministro etíope dos Negócios Estrangeiros, Seyoum Mesfin.

(...)»

sábado, 18 de outubro de 2008

«04. Defendemos uma causa nobre»

«A guerra tem geralmente por móbil a vontade de dominação geopolítica, acompanhada por motivações económicas. Mas os móbiles da guerra são inconfessáveis à opinião pública.
Ora as guerras modernas, ao contrário das guerras de Luís XIV, por exemplo, só são possíveis com o consentimento da população, quando mais não seja porque os Parlamentos têm, em princípio, de dar o seu acordo para declarar a guerra*. Este consentimento será facilmente adquirido se a população pensar que desta guerra dependem a sua independência, a sua honra, a sua liberdade ou a sua vida e que esta guerra tem valores morais indiscutíveis.
Por conseguinte, a propaganda deverá esforçar-se por esconder certos móbiles e por fazer crer em outros.
(...)
Parece efectivamente que a natureza humana exige que cada grupo se apresente como agindo para o bem comum.
(...) mesmo os mais abjectos dos seres humanos raramente confessam ter motivações egoístas ou miseráveis; pelo contrário, asseguram ter boas intenções, objectivos altruístas e autoconvencem-se para manter de si próprios uma imagem positiva. Os conquistadores tentavam ganhar almas para o cristianismo, os torcionários chilenos lutavam contra o marxismo...
Depois deste autoconvencimento é necessário persuadir a opinião pública de que vai ter de participar numa nobre causa. Tem de ser convencida de que é necessário agir contra bandidos, criminosos, assassinos. Esse é também um dos princípios da propaganda de guerra: é necessário apresentá-la como um conflito entre a civilização e a barbárie. Para isso é necessário convencer a opinião pública de que o inimigo comete sistemática e voluntariamente atrocidades, eqnquanto o nosso campo só pode cometer erros bem involuntários.
É esse o quinto princípio elementar da propaganda de guerra.


*Ainda que às vezes, como na guerra da NATO contra a Jugoslávia, se tenha eludido esta "formalidade" constitucional, como aconteceu em França.»